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Com o passar do tempo, toda relação tende a se desgastar.

Os abraços vão ficando menos envolventes, os beijos menos calorosos e os gestos de carinho vão se escasseando.

A voz do outro já não é capaz de acelerar as batidas de nosso coração, as borboletas há muito já não perambulam pelo nosso estômago e o desejo que antes vinha em forma de vulcão, hoje já não passa de um pequeno gêiser moribundo.

Os diálogos começam a girar em torno de banalidades, os problemas já não são mais divididos, as coisas boas vão deixando de ser compartilhadas e a vida que era a dois vai se tornarndo cada vez mais duas vidas a um.

De repente nos sentimos só. Sentimos uma angústia, um vazio, uma tristeza aparentemente sem motivo. A nossa vida parece que vai perdendo as cores, nossos sonhos esmaecendo e o futuro pelo qual tanto ansiávamos, começa a parecer amedrontador.

Percebemos que está na hora de tomar uma decisão, mas, ao mesmo tempo que a expectativa do novo nos atrai, ainda não sabemos se podemos viver sem os resquícios daquele relacionamento que outrora tantas alegrias nos trouxe.

Mas sabemos que essa vida já não mais nos satisfaz, precisamos tomar uma atitude.

O que fazer?

Normalmente são três as opções disponíveis: terminar o relacionamento, dar um tempo ou discutir a relação.

Creio que a medida mais drástica só deva ser tomada em último caso, quando as duas outras alternativas já foram experimentadas sem sucesso. Evidentemente, estamos assumindo que, apesar do desgaste, ainda exista amor entre o casal, caso contrário, o melhor sempre a fazer é cada um seguir a sua vida.

Dar um tempo tem a vantagem de nos concedermos uma oportunidade para repensarmos o que queremos da vida, para ver como lidamos com a ausência do outro, para avaliarmos se conseguiremos viver com os seus defeitos, para deixar que as mágoas antigas se dissolvam lentamente sem mais sofrimentos e para criar a expectativa de que o novo recomeço trará consigo a semente da harmonia.

Dar um tempo também pode ser muito útil quando não estamos plenamente convictos de que devemos terminar. No fundo sabemos que queremos, mas toda vez que criamos coragem para conversar a respeito com o nosso parceiro, ele parece adivinhar nossas intenções, nos enchendo de mimos, carinhos e eternas juras de amor. Tudo isso acaba por nos confundir.

Dar um tempo também pode assumir o significado de um alerta, do tipo, olha você está me perdendo, estou infeliz, vai ficar aí parado feito um poste ou vai fazer alguma coisa a respeito? Nesse caso, se o outro lado tiver um interesse genuíno e um mínimo de sensibilidade, vai entender rapidamente o recado.

Já as vantagens de se discutir a relação me parecem bem maiores, pois serão sempre as duas pessoas envolvidas no problema buscando uma solução que satisfaça ambos os lados.

Com esse método não corremos o risco de fazer falsas suposições, de imaginar que o outro saiba o que queremos, quais são as nossas prioridades e o que deve fazer para nos agradar, pois ainda que certas coisas nos pareçam óbvias, para o outro pode não ser.

Muitas vezes tentamos evitar entrar em contato com feridas antigas, porque além de ser um processo doloroso, a maioria desses casos já foi discutida no passado e nunca chegou-se a um consenso – ou, o que é ainda pior, quando foram trazidas à tona, a conversa virou discussão e acabou em tragédia.

Mas no fundo todos sabemos que, por mais difícil que possa parecer, todos os problemas precisam ser discutidos, todas as expectativas precisam estar alinhadas, todo sentimento precisa ser expressado. Caso contrário o relacionamento nunca vai evoluir, mas apenas  se transformar numa sucessão de crises, onde o amor, por mais forte que seja, vai ser sempre insuficiente.

Portanto, colocar sempre as cartas na mesa tem se mostrado o antídoto mais eficaz para que um relacionamento não vire cinzas; e,  cada um expressar seus sentimentos, bons e ruins, me parece a única maneira de manter sempre em alta as labaredas da paixão.

Pense nisso, não permita que mágoas passadas destruam o seu futuro!

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